Cultura

08 Ago 2020

Katchás viveu 36 anos e deixou um enorme legado à musica cabo-verdiano

 
 


Em Março de 2008 foi inaugurada no centro da cidade de Pedra Badejo a estátua de Carlos Alberto Silva Martins, mais conhecido por Katchás, uma homenagem ao filho do concelho de Santa Cruz, interior de Santiago. Katchás, considerado o músico que realizou a maior revolução no campo musical em Cabo Verde, fazendo do funaná, juntamente com a morna e a coladeira, um dos géneros mais importantes da música cabo-verdiana.

A data de nascimento de Carlos Alberto Silva Martins "Katchás", 8 de Agosto de 1951 é pretexto para escrever sobre o legado deste grande figura da música caboverdiana.

O funaná "nasceu" na ilha de Santiago é um ritmo quente e de transe. Mário Lúcio, músico e ex-Ministro da Cultura de Cabo Verde disse, numa entrevista ao jornal Público que o funaná: “liberdade sexual e um género que é pela primeira vez dançado a pares, libertário em termos físicos, um grito de soltura e o ritmo que tem mais a essência do que é o crioulo – porque tem uma dose das heranças africanas, europeias e americanas numa só música”.

Antes da Independência Nacional em 1975, o funaná foi proibido a sua interpretação na capital do país. Mas muito popular no interior da ilha Santiago, tocado com gaita e o ferrinho.

A ideologia socialista no pós-independência foi oportunidade para o ressurgimento do funaná. Foi nessa altura, verão de 1977 que Katchás regressou à Cabo Verde e trouxe equipamentos eletrônicos modernos da estadia em Paris e Lisboa. Introduziu elementos electrónicos e deu nova roupagem ao funaná, substitui gaita e o ferrinho pelo sintetizador, guitarras e bateria. E fundou o grupo BULIMUNDO em 1978, com Zeca di Nha Reinalda. O grupo lançou o seu primeiro álbum "Batuco" em 1980 e "Bulimundo" e "Djâm Branch Dja " em 1981 e foram sucessos imediato, no país e na diáspora cabo-verdiano, que os levaram para digressão para a Europa e os EUA. Os Bulimundo tornaram uma das bandas mais influente de Cabo Verde e tiveram papel incontestável que tiveram na democratização deste género musical, que saltou do meio rural do interior de Santiago para ribalta da panorama musical cabo-verdiano.

Carlos Alberto Silva Martins "Katchás" nasceu há 69 anos, no dia 8 de Agosto de 1951, na localidade de Rengue Pulga, no concelho de Santa Cruz. Após os estudos liceais na Praia, parte para Portugal para estudar engenharia agrária na universidade de Santarém. Reside alguns anos em Paris, França, onde inicia a sua carreira musical com a sua primeira banda - Broda.

De regressa a Cabo Verde em 1977, Katchás trabalha como engenheiro agrónomo, que o permitiu o contacto e o tempo para estar com as pessoas do mundo rural de Santiago e das outras ilhas, fundamental para o enriquecimento do pretendido "revolução" na música cabo-verdiano, sobretudo com funaná. Katchás faleceu no dia 29 de Março 1988, anos 36 anos, na cidade da Praia, vítima de um acidente de viação. No dia do encerramento do evento "Primeiro Encontro da Música Cabo-verdiano", que ele ajudou a organizar.

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