Lifestyle

13 Out 2020

Manifestações culturais na diáspora, o nosso Cordão Umbilical com Cabo Verde!

 
[foto:Aderito Ben David]
 
[foto:Aderito Ben David]


“Este foi o primeiro ano em que não fomos a Cabo-Verde no verão!”. Joana Correia e a sua família vivem em Sartrouville, uma comuna francesa situada numa das regiões que agrupa a “Île-de-France”. A residir em França há 7 anos, esta família cabo-verdiana composta por quatro membros, vive a imigração de forma nostálgica e com muita ligação à sua terra de origem. Como dizia Sayad (1999), emigrar é emigrar com a sua história, com as suas tradições, os seus modos de viver, sentir, agir e pensar, com a sua linguagem e ressalto e, sobretudo, com a sua cultura.

É a história de Joana, de seu marido António Correia e suas duas filhas Marlene e Solange, com 25 e 20 anos, respetivamente. Chegaram às terras francesas em 2013 como quase todos os emigrantes à procura de uma vida melhor. Algo que testemunham, com orgulho, ter encontrado. Joana descreve mesmo Paris como a cidade mais fascinante do mundo. Contudo, é uma realidade que preenche a vista, completa sonhos, mas não aquece o coração. Falta-nos a morabeza, a nossa morabeza – o nosso cordão umbilical com Cabo Verde.

Ser cabo-verdiano e permanecer longe da nossa gente é pertencer a todo o lado e, ao mesmo tempo, a parte alguma. O nosso alento está na nossa tradição. Manter a nossa cultura na diáspora é a nossa forma de trazer sempre o nosso Cabo Verde para perto de nós. Podemos mesmo dizer que existe um pequeno Cabo Verde em cada país onde vivem os cabo-verdianos, quer no estilo de vida, quer na forma como acentuam os dias importantes para o seu país no contexto diaspórico.

É o caso da celebração do dia da independência de Cabo-Verde, em França. Evento no qual, evidentemente, Joana e a família nunca deixam de estar presentes. Com a mão no queixo, olhar distante, voz de “sodadi” e nostalgia, Joana fala da sua última experiência sobre a comemoração desse dia importante para o nosso país, como se estivesse a reviver aqueles momentos: “Dentadas na espetada de carne assada, goles de ponche para ‘abafar’ e corpos que não conseguem permanecer parados. Ritmos, tambor, batuque, funaná e morna. Danças ao compasso de funaná, suores que escorrem pelos pescoços, e sorrisos nos rostos. Risos, abraços e comida saborosa.Gente contente, gente ‘junta’… gente unida. Uma dança ‘peito com peito’ com o ‘meu António’ ao som de ‘sodadi’ de Cesária Évora, a nossa diva da morna. ‘Caras familiares’ e bandeiras nacionais por todo o lado. Um país traduzido em forma de símbolos culturais, mas, sobretudo, de morabeza. É assim o nosso Cabo Verde e a nossa morabeza. Ah, Cabo Verde! Assim somos nós, e é assim que o nosso coração aquece!”

A grande comemoração do Dia da Independência Nacional 2019, pela comunidade cabo-verdiana em Paris (França), teve lugar nos dias 6 e 7 de julho, na região de Champagne. O evento teve como palco “Villenauxe-la-Grande”, (região situada a uma hora e meia de Paris), sob o lema “Cabo Verde em Champagne”. Organizado numa parceria entre a embaixada cabo-verdiana em França e o município anfitrião, com o objetivo de, tal como todos os anos, “sair com Cabo Verde à rua”. Um convívio apelidado de franco-cabo-verdiano,devido à oportunidade de descobrir Champagne e sua cultura atípica, enquanto se vive Cabo verde através da sua gastronomia, tradições e património cultural.

Tal como se viram abdicados da tradicional viagem de verão (no mês de agosto), este ano (2020), Joana e a família também ficaram apenas na saudade do convívio na comemoração dos 45 anos da Independência de Cabo Verde. Isto tudo devido à “roleta russa” denominada de Covid-19. Por hora, ficamos na saudade e resta-nos a esperança nos dias melhores.

Até lá, como já diziam, “longe da vista, perto do coração”, amado Cabo Verde.

Crônica de Fátima Fernandes
Crioula, residente em Paris, França @fatima_fernandes_8 no Instagram

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