Cultura

25 Ago 2020

Sim?o Salvador, da ilha de Santo Ant?o, o her?i no Brasil escravocrata do sec. XIX, agora em Banda Desenhada

 
Capa da Bada Desenhada "Simo, ointrpido marinheiro"
 
Parte da fachada da Embaixada do Brasil em Cabo Verde
 
"Retrato do intrpido marinheiro Simo", de Jos Correia de Lima


Simo Manuel Alves Juliano (1824 - 1856), natural da Penha de Frana, na ilha de Santo Anto tornou heri no Brasil escravocrata da dcada de 1850, depois de salvar 13 pessoas, aps um naufrgio de um vapor. A Embaixada do Brasil em Cabo Verde apresentou na passada 14 de agosto, na ilha de Santo Anto, em Banda Desenhada, a vida e obra do intrpido marinheiro Simo. Um trabalho com assinatura de Gildaris Pandim (roteiro) e Alex Sander (arte).

Com o feito herico Simo Juliano passou a ser conhecido por Simo Salvador. A sua valentia valeu-lhe uma homenagem do ento Imperador do Brasil, D.Pedro II, com medalha de ouro. A figura de Simo Salvador destaque na fachada da Embaixada do Brasil em Cabo Verde, como smbolo de amizade que unem os dois pases. No Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, existe uma tela, 93 x 72,6 cm, "Retrato do intrpido marinheiro Simo", de autoria do pintor e acadmico, Jos Correia de Lima.

Simo Juliano, emigrou para Brasil para trabalhar como marinheiro, no primeiro ciclo de migrao cabo-verdiana no sculo XIX. No pas em que a escravatura era pratica legal, Simo foi um negro africano livre. Trabalhava como marinheiro a bordo do vapor Pernambucana, que transportava pessoas e cargas em viagens entre Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro. No dia 8 de Outubro de 1853, o navio naufragou durante uma tempestade, prximo do Cabo de Santa Marta.

O ato herico Simo Salvador
O antroplogo e investigador, caboverdiano, Brito-Semedo, no seu blog Esquina do Tempo, descreve de forma empolgante o feito herico de Simo: "Toda a esperana de salvao tinha-se perdido. O quadro que se oferecia a bordo era desolador. No vapor no havia os socorros precisos e de terra no podiam ser enviados. As ondas encapeladas envolviam o navio e a cada nova golfada do mar mais uma vida era perdida. As dezenas de passageiros que se agarravam uns aos outros sobre a coberta imploravam a salvao, mas inutilmente, porque a morte vinha rpida surpreend-los, sem que os auxlios de terra pudessem ser prestados. Logo que o navio encalhara, um homem mais arrojado que todos os outros conseguiu salvar-se a nado. Esse homem era o nosso Simo Juliano.

Desprezando a vida que havia j salvo, Simo lanou-se outra vez gua e nadou para o navio. O espao que tinha a percorrer media talvez 100 metros e o intrpido marinheiro venceu esta distncia fora de coragem e de energia e voltou praia salvando um dos passageiros. Depois desta vtima salvou outra, outra e outra. Dez vezes se lanou ao mar e dez vezes conseguiu voltar praia trazendo sempre agarrado um dos pobres nufragos. As foras estavam exaustas. O corpo cedeu fadiga e o valente marinheiro, prostrado e abatido, caiu por terra.

A bordo do navio ainda restavam alguns desgraados para quem a ltima esperana se perdia de todo. Na praia, havia uma pobre mulher que chorava, lembrando-se de dois filhos que ainda estavam a bordo.E la dirigiu-se a Simo com os olhos arrasados de lgrimas e a voz embargada pelos soluos e apontou-lhe o navio. O valente atleta que lutara j duas vezes com o oceano enfurecido, lembra-se dos seus e de sua me, levantou-se e investiu com as ondas. Todos os espectadores estremeceram percebendo que a luta ia ser desesperada, mas momentos depois voltava trazendo mais um nufrago.

A mulher tinha outro filho que era preciso salvar e Simo l voltou ao navio e pouco depois aparecia na praia entregando me a segunda criana.

J nada parecia restar a bordo. Os outros tripulantes e passageiros tinham sido devorados pelo oceano revolto. O navio, meio despedaado, soobrava sempre e estava prestes a afundar-se. De sbito, ouve-se um grito aflitivo. Era dado por um cego que ainda existia a bordo e de quem todos se haviam esquecido.

Simo olhou ainda outra vez para o mar, escutou os gritos de angstia que se soltavam em torno dele e precipitou-se no meio das ondas. Simo voltou so e salvo trazendo consigo o pobre cego. Ainda os dois no tinham chegado praia e j o navio desaparecera de todo. Perto de cem pessoas haviam perecido nessa imensa catstrofe e as treze que tinham escapado deviam a existncia ao nosso heri!."


O relato minucioso do acto herico de Simo foi noticia por todo Brasil e na Europa. Foi condecorado por altas autoridades de Brasil e Portugal. Foi muito requisitado por grandes pintores da poca para o retrato de uma figura que imps pela sua coragem.

Depois das homenagens Simo Salvador regressou para sua terra natal. Faleceu pouco tempo depois, aos 32 anos, em Ponta do Sol, ilha de Santo Anto.

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