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    Sabia que os Fósseis Dunares de Móia-Móia são uma das 7 Maravilhas Naturais de Santiago?

    21 de outubro de 2026

    3 min de leitura

    Móia-Móia é daqueles lugares que parecem ter parado no tempo. Mas guarda, nas suas formas e texturas, histórias de um passado muito distante. Os Fósseis Dunares de Móia-Móia, no litoral leste do concelho de São Domingos, são um desses lugares onde a natureza conta histórias e o seu grande valor científico que vão muito além daquilo que os olhos conseguem alcançar.

    Com pouco mais de 100 metros de comprimento e cerca de 40 metros de largura, esta formação geológica é um importante testemunho da história natural de Santiago. Ao contrário das dunas de areia solta, que o vento transporta e redesenha continuamente, como acontece no Deserto de Viana, na Boa Vista, aqui a areia está consolidada, com os grãos unidos por um cimento natural. São dunas que o tempo transformou em rocha, preservando sinais das condições climáticas e ambientais de outras épocas.

    Apesar do seu valor científico e patrimonial, os Fósseis Dunares de Móia-Móia têm sido alvo de apanha ilegal de areia, uma prática que continua a contribuir para a degradação desta paisagem. Nas visitas que fizemos ao local, em 2015 e 2020, já era possível observar sinais dessa degradação. Uma realidade que reforça a necessidade de proteger e preservar este património natural, para que continue a contar a sua história às gerações futuras.

    A importância deste lugar foi reconhecida em 2012 e 2013, no âmbito do projeto 7 Maravilhas Naturais de Cabo Verde, promovido pela Rede de Parlamentares para o Ambiente, Luta contra a Desertificação e Pobreza. A iniciativa procurou identificar e valorizar os patrimónios naturais do país, elegendo maravilhas a nível municipal, insular e nacional.

    Fósseis Dunares de Móia-Móia foi escolhida como uma das 7 Maravilhas Naturais da ilha de Santiago, na categoria Dunas e Corredores Dunares, que incluía formações fósseis e dunas vivas. Na eleição nacional, porém, o título desta categoria acabaria por ficar com o Deserto de Viana, na ilha da Boa Vista.

    A gala final do concurso nacional realizou-se a 20 de dezembro de 2013, na Assembleia Nacional, na cidade da Praia. Entre os locais distinguidos nas sete categorias estavam o Monte Cara, em São Vicente; o Vulcão do Fogo; Carbeirinho, em São Nicolau; as Salinas de Pedra de Lume e a praia de Santa Maria, no Sal; o Deserto de Viana, na Boa Vista; e o Parque Natural de Monte Gordo, em São Nicolau.

    Mas voltemos a Móia-Móia, porque há alturas em que a paisagem parece querer mostrar-nos uma versão diferente de si própria.

    Depois das chuvas de outubro, Santiago vestiu-se de verde. Na costa leste de São Domingos, a transformação é particularmente convidativa. O contraste entre a vegetação que cobre a extensa planície, o azul do mar e os recortes da linha costeira oferece um cenário de rara beleza. Pelo caminho, sucedem-se baías e enseadas, enquanto o Farol de Leste acrescenta à paisagem as suas histórias e memórias.

    É nesse imenso tapete verde que surge uma mancha branca, quase inesperada. São os Fósseis Dunares de Móia-Móia, uma formação que se destaca na paisagem e desperta a curiosidade de quem por ali passa.

    Mais do que uma maravilha natural, este é um lugar para caminhar devagar, observar os detalhes, descobrir as marcas do tempo e perceber que a história de Cabo Verde também se escreve na pedra, na areia e nas formas esculpidas pela natureza.

    Se procura um destino diferente para explorar Santiago, a costa leste de São Domingos merece entrar no roteiro. A trilha por estas bandas é um convite à descoberta, numa viagem em que a paisagem, a geologia e a memória do território se encontram a cada passo.

    E há muito mais para descobrir por estas bandas. Móia-Móia e a costa leste de São Domingos guardam outros recantos, histórias e curiosidades que merecem ser conhecidos. Mas isso fica para as próximas crónicas, nas quais continuaremos esta viagem de descoberta por uma das zonas mais surpreendentes da ilha de Santiago.


    Décio Barros

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