O "Slam" do Spoken Word Cabo Verde já se tornou um daqueles encontros culturais em que ninguém vai por acaso. Quem aparece, quase sempre, é público fiel, gente que conhece bem a bitola de qualidade e chega já no mesmo espírito leve e solto que marca cada atuação.
Na cidade da Praia, o ritual repete-se com a naturalidade de quem sabe que a casa vai corresponder. "3, 2, 1… Slam!", o grito de guerra dá o mote no início de cada performance e abre, simbolicamente, a interação entre o “palco” e o público. É ali que começa as performances.
Na última sexta-feira, o encontro foi no Espaço KA7, a nova casa Spoken Word Cabo Verde. Situada na rampa de Terra Branca. Um espaço de decoração vintage que, à noite, ganha outra respiração. O ambiente convida ao olhar demorado, à escuta atenta e aos sorrisos prontos a transformar-se em gargalhadas. Tudo ali parece cúmplice da palavra.
O ritual manteve-se intacto. Os slammers residentes, Edyoung Lennon, Vera Figa e Jap Pires, foram chamando, um a um, veteranos e estreantes a ocupar o microfone.
No alinhamento do Slam 54, cruzaram-se vozes e percursos: a jornalista Rosana Almeida, os artistas Fattú Djakité, Alberto Koenig e Flavinha. Completaram a noite Hennessy, Line Barros, Ana Gommel, Cinthya Barbosa, Davinia Pires e Cheila Delgado.
Aqui, a regra é simples: good vibes. Cada performance, à sua maneira, encontra sorrisos, escuta atenta e aplausos ritmados.
Há ainda o espaço do open mic, apresentado com humor por Edyoung: “São aquelas pessoas que estão sempre no nosso cartaz… podem não aparecer na parte visível quando o cartaz é colado, mas estão no verso. E são muito importantes.”
Foi desse momento que surgiu o apresentador de televisão e músico Éder Xavier. Subiu ao microfone, entregou a sua performance e acabou envolvido por um pedido coletivo, em uníssono: a sua popular canção Mi Gô.
Em atividade desde 2016, o Slam, habitualmente realizado na quinta-feira do mês, aconteceu, desta vez, excecionalmente, nesta sexta-feira, 27 de fevereiro.
Fica o lembrete: marque na agenda e deixe-se levar pela próxima edição. Porque, no Slam, a palavra não sobe apenas ao palco, espalha-se pela sala inteira.
DB




